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Profissão embalada por muitos aromas

Andrea. A avaliadora olfativa faz a mediação entre o cliente e o perfumista

A paixão por aromas pode ser transformada em profissão. A perfumaria proporciona diversas opções de carreira que vão desde as áreas de marketing e vendas até a de designer passando pela de criador de fragrâncias para o mercado.
A sócia-fundadora da Perfumaria Paralela, Alessandra Tucci, conta que esses profissionais não atuam apenas na produção de perfumes, mas em toda a cadeia de cosméticos, beleza e higiene pessoal.

“O mercado está se sofisticando e utilizando novas tecnologias. Por isso, é cada vez maior a demanda por profissionais qualificados, capazes de ver o perfume de forma integral, como um negócio com ênfase no olfato.” Representante exclusiva no Brasil da Cinquième Sens, a Perfumaria Paralela oferece consultoria e cursos.

Alessandra trabalhou em indústrias de perfume por 20 anos. Com paixão por essências, ela atuou em diferentes setores da indústria. “Existe oportunidade para se capacitar e atuar em diferentes áreas dentro de uma empresa, e o mercado remunera muito bem”, diz.

As casas de fragrâncias – empresas que criam os aromas para a produção industrial de perfumes, loções, sabonetes –, é o local de trabalho de muitos profissionais do ramo. Andrea Lombardi, por exemplo, é avaliadora olfativa da casa de fragrâncias alemã Symrise. Tem a função de visitar o cliente, entender o tipo de fragrância que ele quer e transmitir a informação ao perfumista.

Ela começou a atuar no setor no ano 2000, no marketing. Mas sempre teve curiosidade pelos cheiros e depois de quatro anos surgiu a oportunidade para mudar de área.

Durante dois anos ela estudou para conhecer o mercado. “Ser neutra é a parte mais difícil para o avaliador. É preciso conhecer o projeto, o cliente e o produto, para que o perfumista encontre a fragrância.”

Depois de a fragrância ficar pronta, é Andrea quem define se está de acordo com o pedido do cliente. “A avaliação é feita às cegas (sem que se saiba quem preparou a essência). Uso minha referência olfativa de mercado e comparo com o perfume. Se está de acordo, levo ao cliente, caso contrário peço alterações ao perfumista”, conta. O trabalho de Andrea consiste em traduzir para o perfumista o que o cliente quer.

Artista. “A perfumaria me encontrou”, diz o francês Philippe Roques, de 45 anos, perfumista sênior da Takasago. Formado em farmácia, ele conta que sempre teve afinidade com fragrâncias. “Pensei que a cosmética (fazendo fórmulas para indústria) era mais próximo do que eu gostava, até começar a trabalhar no departamento de qualidade da L’Oreal em Paris e conhecer o setor de perfumaria.”

Roques. ‘Perfumista precisa conhecer os gostos e hábitos do brasileiro’

Depois de alguns cursos, ele trabalhou como perfumista em Paris, Nova York até receber o convite para vir para o Brasil, em 2010.

“Eu conhecia o País como turista, mas para ser perfumista eu preciso conhecer os gostos, os hábitos e até a gastronomia. O brasileiro tem gostos múltiplos, é espetacular desenvolver fragrâncias para o Brasil”, diz.

Em 20 anos como perfumista, Roques já criou aromas para as grandes do setor. “O mercado é pequeno, são poucas empresas e poucos perfumistas. Eu pretendo continuar no Brasil, que tem um mercado muito interessante, evoluindo. Hoje, o mercado (de criação de fragrâncias) já tem um gosto mais típico brasileiro e eu gosto do que está em desenvolvimento”, diz.

Depois de atuar como perfumista sênior por mais de 25 anos em casas de fragrâncias, a farmacêutica e bioquímica Mônica Rossetto hoje é professora de cursos de perfumaria e atriz. “Comecei como assistente de perfumista, pesando as fórmulas dos perfumes e tudo que eu pesava e misturava eu cheirava, assim comecei a treinar o olfato. Fui fazer curso técnico de química e passei para o controle de qualidade e lá continuei cheirando todas as matérias-primas”, lembra.

Mônica foi aprimorando o olfato, cursou farmácia e bioquímica e seguiu na área. Segundo ela, hoje existem cursos para a formação do profissional, mas assim como ela, muitos aprenderam com mestres perfumistas. Ela conta que, no início da carreira, trabalhou no segmento de higiene pessoal, criando aromas para linha de cremes corporais, loções e sabonetes. Só posteriormente passou para o setor de “perfumaria fina”, o que produz os perfumes. “Uma fórmula tem em média 60 ingredientes em quantidades variadas. A pessoa pode ter um bom nariz e não ser uma criadora. Tem de ter talento para ser perfumista”, diz Mônica, dona de mais de seis mil fórmulas.

‘Mesmo com a crise, continuamos sendo líderes mundiais’

A coordenadora da pós-graduação em Cultura do Perfume da Faculdade Santa Marcelina (FASM), Andreia Mirón, diz que o curso surgiu da percepção de Brasil se tornaria líder em consumo desse setor. “Mesmo com a crise, continuamos sendo líderes mundiais. Previmos que existiria a necessidade de um profissional que olfativamente buscasse novos conhecimentos.”

De acordo com Andreia, o público que procura a pós-graduação é bastante variado. São pessoas da área e que têm projetos de desenvolvimento de produtos (criação), perfumista que busca aprimoramento, pessoas que querem mudar de carreira. “Em comum, todas têm paixão pelo perfume.”

Caroline. Associou a carreira com a paixão pelo perfume

O objetivo do curso é ensinar a cultura olfativa. “Entender a família olfativa, o marketing de luxo, a neurociência. São disciplinas ligadas à vivência sensorial.” As turmas têm no máximo 15 alunos e as tempo é de 1 ano e seis meses e ou dois anos.

A design de desenvolvimento de produtos da Ares Perfumes e Cosméticos, Caroline de Souza Barros, de 33 anos, é formada em desenho industrial, mas desde a época da faculdade queria associar a carreira com a paixão pela perfumaria.

“Ao terminar a graduação vim para São Paulo cursar pós-graduação em Cultura do Perfume, para entender como aplicar na minha área”, diz a designer.

Segundo ela, o curso é bastante abrangente e aplicado a diferentes áreas, ideal para ter visão desse mercado. O curso ensina a avaliar o senso olfativo, além de abordar a filosofia, história do perfume, essências, marcas e toda a parte visual e de formação dos conceitos.

“O curso foi importante para eu entender mais a respeito do mercado. No meu trabalho eu desenvolvo produtos, embalagens, para perfumaria fina (perfume) e para produtos corporais”, diz.

“Quero continuar estudando, fazendo cursos para aprender mais a respeito de perfumaria, que é uma paixão e eu sempre quis, e ainda quero, conhecer a perfumaria pelo mundo”, afirma Caroline.

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